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quarta-feira, 22 de maio de 2013

08/06/2011 | Na Mídia

Confraria Tucuju comemora 15 anos nesta quarta-feira

Blog Corrêa Neto - 08/06/2011

Tudo começou com um ato de resistência. Há 15 anos, Mestre Pavão, um dos mais populares festeiros do Marabaixo, foi ameaçado de prisão por uma autoridade federal incomodada com os fogos e o barulho dos tambores. Apesar da ordem, o delegado Aurino Borges, amapaense conhecedor da cultura da terra, se recusou a efetuar a prisão. O ato de insurgência mobilizou a sociedade e inspirou a fundação da Confraria Tucuju.

Desde então o sentimento de resistência vem se transformando cada vez mais em ação pela cultura. Hoje, a Confraria Tucuju pode ser considerada a instituição não-governamental com maior número de projetos em execução. Além das ações de valorização das manifestações artísticas, com foco na formação de platéia e no registro em áudio-visual, a Confraria desenvolve e apóia projetos de pesquisa e proteção do patrimônio histórico e cultural do Amapá.

Fundada no dia 8 de junho de 1996, a Confraria Tucuju saiu da calçada do Pastelito, ao lado da residência do Sr. Duca Serra, onde nasceu, para ocupar uma sala cedida pela Diocese de Macapá no antigo prédio da Escola Paroquial São José. A parceria com a Igreja Católica tem assegurado que a entidade promova com seus projetos a revitalização do Largo dos Inocentes, logradouro localizado no centro histórico da cidade de Macapá, onde surgiu a vila que deu origem à capital do estado.

A ata de fundação da Confraria foi assinada pelo funcionário público Norberto Tavares, radialista J. Ney, delegado Aurino Borges, ex-funcionário da ICOMI Melkisedec Silveira, médico Sérgio Picanço, funcionário público Mário Jucá, pesquisador Nilson Montoril e pela professora Ageane Lígia Aranha. Outros amapaenses participaram do processo desde as primeiras discussões como o jornalista João Silva, Vilma Picanço, Rosa Montoril e Luiz Valdemar Picanço.

Ao longo de 15 anos, presidiram a Confraria Tucuju a advogada Sônia Solange (1996/1997), Ronaldo Picanço (1998/1999), Ângela Nunes (2000/2001), Evandro Milhomem e Mário Jucá (2002/2003), Fernando Canto (2004/2005), Maria dos Anjos da Silva Miguel (2006/2007). Desde 2008 a entidade é presidida pela advogada Telma Duarte, que está no segundo mandato.

Espírito de ação

“A atitude cultural resulta de um longo processo que envolve o sentimento de solidariedade pela causa, a capacidade de se organizar para atuar em prol dela, e o potencial de articulação capaz de angariar apoio e recursos para desenvolver os projetos. Essas etapas a Confraria Tucuju vem cumprindo ao longo de sua história. Hoje, com 15 anos, podemos afirmar que estamos amadurecidos para contribuir com responsabilidade e eficiência para a cultura do Amapá”, avalia Telma Duarte, atual presidente.

Já nos primeiros anos de existência, a Confraria Tucuju mostrou a que veio. Resgatou a data de aniversário da cidade de Macapá, 4 de fevereiro, e assumiu a tarefa de organizar a festa. Sem apoio do poder público, mas com a colaboração de sócios e simpatizantes da causa, a primeira festa foi realizada ainda em frente ao Pastelito, na av. Gal. Gurjão, com direito a bolo gigante do tamanho de um quarteirão e a participação popular, marca registrada do evento.

A festa de aniversário cresceu, ganhou apoio do poder público e passou a contar com um roteiro que inclui missa, solenidade cívica, encontro de bandeiras do Marabaixo em frente à Matriz de São José, corte do bolo e feijoada distribuidos para a população, almoço para as famílias pioneiras da cidade e show com artistas regionais. Uma celebração que ocupa o centro histórico durante um dia inteiro e mobiliza centenas de pessoas na sua organização. “Essa festa já faz parte do calendário cultural da cidade, mas ainda precisa ser compreendida como tal definitivamente pelo poder público. Assim não precisaremos anualmente peregrinar pelos gabinetes em busca de apoio”, registra Telma.

Entre os projetos de formação de platéia e valorização artística destacam-se os Concertos de Verão, palco para a música instrumental; o Sarau do Largo dos Inocentes, mostra multicultural e a Cantata de Natal. Esses projetos são realizados no verão (julho a dezembro) desde 2008 no Largo dos Inocentes, com acesso livre. Dezenas de artistas regionais passam por eles. Para 2011 os recursos já estão assegurados pelo Ministério da Cultura, garantidos através de emenda parlamentar da ex-deputada Lucenira Pimentel.

Os projetos de registro audiovisual em curso são “Fest Vídeo Tucuju”, festival de vídeo voltado para jovens e “Macapá, sua gente e sua história”, registro da memória oral dos pioneiros da cidade de Macapá. Na pesquisa histórica a Confraria atua através do projeto “Inventário das Folias”, catalogação e registro de todas as festividades religiosas associadas à cultura popular; projeto “Salvaguarda da Festa de Nossa Senhora da Piedade do Município de Mazagão”; projeto “Salvar”, recuperação e digitalização do arquivo documental do ex-governador Janary Gentil Nunes além de levantamentos e estudos para tombamento das ruínas de Vila Vistosa da Madre de Deus, às margens do rio Anauerapucu.

A literatura conta com a Confraria Tucuju com apoio a lançamento de obras como “Macapá, recortes poéticos”; “Histórias de um Povo”; “Uma Aventura no Bailique”; “Mar Acima, Mar Abaixo”; “A Banda”; “Palavras de Festim”; “245 Quadrinhas de Amor a Macapá”; “Coletânea Poetas, Contistas e Cronistas do Meio do Mundo”. Na música, a Confraria conta em seu acervo de lançamentos com os CDs: Batalhas e Confetes – Memória do Carnaval de Macapá; Macapá – Recortes Poéticos; Parabéns Macapá 246 anos; Parabéns Macapá 247 anos; Parabéns Macapá 248 anos; Parabéns Macapá 249 anos; Parabéns Macapá 250 anos.

Integrada à política nacional de cultura, a Confraria faz parte do programa Mais Cultura, do MINC, agregando o Ponto de Cultura Largo dos Inocentes. Através do Ponto, a Confraria pode realizar saraus de inverno em 2010 e contribuir com a tradicional festa de São José, o padroeiro da cidade e do estado. Para 2011 o ex-deputado federal Jurandil Juarez deixou como legado recursos de emenda parlamentar destinado à compra de um equipamento de som profissional, que dará suporte a todos os eventos da Confraria.

Na Assembléia Legislativa do Estado a entidade tem contato com apoio do deputado Dalto Martins, que apresentou projeto tornando-a de utilidade pública e destinou recursos de emenda parlamentar, no valor de R$ 30 mil para apoio aos projetos da entidade no ano em curso. “Não temos bandeira partidária, nossa bandeira é a cultura. Aos poucos os políticos compreendem isso e se associam à nossa causa, que é uma causa da sociedade”, diz Telma Duarte. “São só os primeiros 15 anos. A Confraria vai continuar sendo um braço de resistência em nome dos pioneiros que construíram essa cidade e sua cultura”, finaliza Telma.

Fonte: Blog Corrêa Neto