A cidade de Xica da Silva ganha novo espaço cultural
Um novo cine-teatro, um Galpão oficina próprio destinado ao restauro são motivos para a sociedade de Diamantina, em Minas Gerais, festejar. O espaço cultural é resultado da parceria entre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - Iphan e a prefeitura municipal. O local que passará a se chamar Galpão oficina escola José Lopes de Figueiredo (homenagem a um antigo mestre da equipe de obras de 1938 a 1974) vai abrigar o atual grupo responsável por intervenções de restauração estrutural e arquitetônica naquela região.
Uma curiosidade é que no galpão está instalada uma marcenaria completa e as madeiras apreendidas pelo Ibama serão utilizadas nas obras que o Iphan realizará em Diamantina. A oficina da equipe ficava na Casa de Chica da Silva, onde funciona o escritório técnico do Iphan, e agora, com essa nova unidade, o espaço utilizado foi adaptado para a instalação do Cine Mais Cultura, do Ministério da Cultura.
Os investimentos foram de R$ 1,7 milhão, do Programa Monumenta, em parceria com a prefeitura de Diamantina, que recuperou o prédio da Cadeia Velha, restaurando a fachada e requalificando o imóvel para a implantação do espaço cultural.
O Iphan investiu ainda mais R$ 600 mil para a aquisição das poltronas, sonorização e vídeo, mobiliário administrativo, iluminação cênica e vestimentas cênicas.
A Cadeia Velha e o Teatro Santa Izabel
O imóvel no coração de Diamantina é um marco na história local. No início do século XIX, o antigo quartel, no Largo do Rosário, foi adquirido pelo Hospital de Caridade, hoje Santa Casa de Caridade de Diamantina, para ser transformado em casa de espetáculo e angariar recursos para o tratamento de pacientes pobres. Desta forma, o Teatro Santa Izabel foi inaugurado em quatro de julho de 1838, dia em que se comemora a santa padroeira do hospital. Neste local foram realizados grandes espetáculos, festas de casamentos, bailes, saraus e as folias de Momo.
A partir de 1907, funcionou como cinema. No entanto, com a crise econômica do início do século XX, o teatro foi fechado e, em 1912, o prédio foi demolido. Em seu lugar, foi construída a Cadeia Pública de Diamantina que funcionou até a década de 1980, quando foi desativada. Desde então, o imóvel ficou abandonado e foi se deteriorando com a ação do tempo.
Em 2007 o Programa Monumenta começou os trabalhos de requalificação da Cadeia Velha. A fachada de arquitetura eclética foi mantida, e o imóvel recebeu ainda um acréscimo construtivo. A comunidade de Diamantina possui um espaço moderno para a apresentação de peças teatrais ou exibição de filmes. O auditório é um ambiente com ar condicionado e sofisticado sistema de sonorização e vídeo. São 128 lugares, incluindo área para portadores de necessidades especiais. As poltronas são estofadas e numeradas, com assento rebatível e braços em madeira maciça. Ao fundo do palco estão os camarins com instalação sanitária e bancada para maquiagem. O prédio possui área administrativa, com dois guichês de bilheterias e espaço para reuniões, banheiros para o público com as adaptações necessárias aos portadores de necessidades especiais, foyer, sala multiuso e área externa para eventos.
Fonte: O Debate Impresso